um banco não é lá uma mobília muito sociável. um banco não tem estofado que combine com o jogo de almofadas sobre o sofá. nem a superfície transparente que possa refletir na mesa de centro. ou seis bocas que fervam a água do café da família em volta da mesa de seis cadeiras - sendo que três ficaram inutilmente contra a parede. as portas do banco não abrem e fecham para pendurar nos cabides as roupas com cheiro de amaciante e de todos os cuidados da infância. também não combina com as meias que fazem par com os pés que as esfregam pelo chão casa adentro. o banco só serve de apoio. quando a ferramenta está muito alta, lá vai a mãe com o sapato limpo sobre o banco sujo. quando a despensa acessível está pouco convidativa, lá vai a irmã mais nova saltar no banco-trampolim e alcançar o tesouro da sobremesa depois do jantar com ninguém sobre o banco. e quando a família senta no sofá pra ver novela das oito, lá vai o banco pra baixo do piano que não faz par nem com o braço que toca desafinando nem com o corpo descompassado. o banco é pro canto. pro castigo do filho que não deu certo.