quarta-feira, 16 de outubro de 2013

traduzindo a arte de perder

Uma Arte
por Elizabeth Bishop

Na arte de perder não é difícil ser mestre;
tantas coisas parecem carregar em si a semente
da perda que perdê-las não é nenhum desastre,

Perca coisas todos os dias. Aceite o teste
das chaves perdidas, das horas desperdiçadas.
Na arte de perder não é difícil ser mestre.

Então perca mais rápido, com mais verdade:
lugares, nomes e qualquer que fosse o destino
de sua viagem. Nada disso se fará um desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. E veja! a última ou
a penúltima de três casas amadas em que estive.
Na arte de perder não é difícil ser mestre.

Perdi duas cidades, adoráveis cidades. Além de
reinos que governei, dois rios, um continente.
Sinto saudades, mas isso não foi nenhum desastre.

- Nem mesmo te perder (a voz debochada, um gesto
que amo) eu não poderia mentir. Está evidente
que na arte de perder não é difícil ser mestre
e apesar do que possa parecer (Escreva!) como um desastre.

(One Art, Elizabeth Bishop)